O meu primeiro assimétrico (digno de registo)
#1

Filmado pelo Sérgio Gouveia numa GoPro Hero HD. É melhor ver em HD ou Full HD em ecrã inteiro pois eu vou ficando pequenino na imagem.

Um thread de discussão no paragliding forum:
http://www.paraglidingforum.com/viewtopi...334#205334

Basicamente, ainda sou trolha.
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#2
granda cena!!!! explica o prq disto o que aconteceu? o vento nao estava de frente? que se passou?
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#3
Olá EVandro,

discussão sobre o incidente e possiveis explicações, causas, reacções e atitudes está muito bem no paraglidingforum

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#4
Ok Sam, daqui a pouco tuganizo os textos.
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#5
Bravo Evandro, pela tua "coragem" de partilhar uma experiência pessoal com o resto da malta parapentística!

Para outros que não te conhecem pessoalmente, o Evandro já um piloto relativamente calejado e com alguma experiência.
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#6
Desculpem mas não tive tempo ainda de escrever mais sobre este assunto. Logo que possa volto prometo dissecar a situação.
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#7
Finalmente, 500.000 anos depois arranjei um tempinho e paciência para transcrever em português os meus posts no Paragliding Forum e os comentários mais importantes para a discussão.

O texto que está junto com o vídeo diz o seguinte:

Logo após a descolagem, supostamente algum tipo de vento de costas mistura-se com a ascendente da encosta criando um rotor mesmo à saída da descolagem. Afortunadamente, o Sérgio Gouveia estava a filmar e agora eu posso ter uma melhor percepção das sensações / acontecimentos e posso partilhar o conhecimento.

Eu tinha as minhas mãos nos manobradores practicamente em posição mãos-em-cima / ligeiramente tensionadas. depois senti uma total falta de tensão. Fui apanhado de surpresa. Sem perceber o que se estava a passar eu mantive as minhas mão em cima até perceber qual estava a ser a reacção da asa. Apercebi-me que estava a rodar para a direita e a ir em direcção à montanha. Eu prontamente puxei o manobrador para virar à direita e assim continuar a rotação adquirida e assim afastar-me do terreno.

Este é um vídeo valioso para me ajudar a melhorar a minha reacção a colapsos. Espero igualmente que possa ajudar mais alguém. Mais que não seja, para jovens pilotos lembrarem-se a não largar os manobradores logo a seguir à descolagem pois pode ser necessário reagir instantaneamente. Usando o repousa-pés, eu nunca preciso usar as mãos para me ajustar no arnês quando descolo.

Ironicamente, isto aconteceu durante um curso SIV. Depois deste incidente, prossegui para as manobras de assimétrico acelerado.


Depois o Ikarus comenta:

Quando descolas, parece que afundas por um bom bocado e depois começas a subir bem antes do colapso (felizmente). Parece que estás no sotavento de vento vindo da direita - deixas a asa voar e continuas a volta à direita.


Charly Booth aponta que:
(...) atravessaste uma descida suspeita durante a descolagem, como se estivéssemos todos à espera que o grande "monstro" saltasse e te apanhasse a qualquer altura. Aposto que gostarias de ter estado na fiel Nova Rookie naquela hora. (...)

Adrian Thomas:
[b][i]Estes colapsos do youtube geralmente têm a seguinte sequência: Piloto descola, a asa mergulha (piloto faz nenhum para corrigir), a asa vem para trás (piloto nada faz para corrigir e geralmente está ocupado a se ajeitar no arnês), a asa passa à frente e apanha um assimétrico logo que o piloto baloiça para trás.

Mau controlo de pêndulo

Vai lá para fora praticar controlo de pêndulo...Não queres a asa lá para a frente de ti em nenhuma altura em que estejas perto do solo. Se baloiçares pelo movimento de pêndulo, automaticamente gera um ângulo de ataque reduzido no bordo de ataque à medida que a asa volta para trás. Isso é o suficiente para causar um colapso por si mesmo.

Concentra-te em manter a asa por cima da cabeça até estares afastado do terreno. Rearranja o teu arn~es de forma a que não tenhas de pensar como te encaixares nele, ou então se tens de te contorcer para te enfiares dentro, espera até estares afastado do terreno
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#8
Sam, Estou a espera da tua opinião (sobre o que aconteceu e sobretudo qual deveria ter sido (teoricamente) a melhor atitude a tomar).




Evandro man, excelente relato! Obrigado por partilhares.
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#9
(...Continuação...)

Ikarus
Obrigado pela informação adicional - Bom post.
Eu adicionaria apenas duas coisas aos meus comentários anteriores.

(1) Eu acho que a tua análise de ar misturado (2 camadas de ar diferente) está provavelmente certa - a asa realmente não se mexe muito. Simplesmente desaparece num grande colapso e não aparenta pendular à frente descontroladamente antes do colapso.

Contudo, com asas mais avançadas, temos mais feedback, e estes colapsos raramente aparecem do nada (à excepção de uma 2/3 rafeira que eu tive há uns anos atrás que dava pouco ou nenhum feedback e colapsava sem nenhum aviso e habitualmente engravatava). Este aumento de feedback na verdade torna-as muito mais seguras que asas mais baixas, desde que se interprete a informação correctamente e se reaja de acordo.

Eu odeio a sensação de ar misturado, e a sensação de rotor (sobe-sobe-sobe-desce-desce-desce), e a minha reacção instintiva mesmo quando observando o teu vídeo é afastar-me de problemas. Também, ter em mente que uma asa carregada em volta (mesmo em espiral) é mais resistente a colapsos. Não é visível do vídeo que tenhas antecipado o colapso, ou que tenhas feito alguma coisa para o minimizar - isso virá com a prática na tua nova asa.

(2) A tua reacção quando tiveste o colapso foi practicamente perfeita. O Jocky (Sanderson?) tem uma opinião sobre a escolha entre deixar a asa rodar e recuperar, ou fazer contra-viragem. De SIV's e experiência, eu estou inclinado a deixar grandes colapsos coomo o teu rodar à vontade sem contra-viragem, se tiveres o espaço. É mais rápido e mais eficiente enérgicamente, e eu suspeito que se perde menos altura no final de contas. Se o espaço é um problema, então a contra-viragem e bombear é bom, mas demora mais e há um risco acrescido de colocar em perda a parte da asa ainda aberta. Também há a tendência de cair como uma pedra...

Ficar nervoso após um evento desses é natural, e pode durar mais tempo do que possas aperceber-te. Eu tive um fechaço do nada similar, mas com gravata, espiral profunda, atirar reserva há uns anos atrás, e o efeito durou muito mais do que eu estava a admitir para mim mesmo. Experimentei asas diferentes, lugares diferentes, novos arneses, mas a dúvida e o medo real era mesmo o Voar, sem saber o que ia acontecer a seguir. A solução para mim foi voar bastante tempo com condições calmas (doces voos no interior com térmicas gentis), analisando os meus medos, não me permitindo evitar voar ou adiar uma descolagem quando estava obviamente bom. E uma vez no ar, mantinha-me ocupado - à procura de ascendentes, procurando o núcleo, treinando wingovers, top-landings, orelhas, pequenas espirais (não gosto muito de espirais) e voando o máximo de tempo que podia e enquanto estava a me dar gozo (ignorando a voz que diz "aterra agora" que se aparecia por si própria).

Espero que isto ajude.



Dorant
A minha limitada experiência sugere o contrário quando comparando a perda de altitude.
Na minha honesta opinião descer com asa virada para baixo numa volta apertada faz perder mais depressa a altitude.
Se "cair como uma pedra" fosse verdade para contra-viragem, eu já teria crashado várias vezes...já tive essa a mesma experiência e similar muito mais baixo no passado. (e também não apareceu no log de voo com ascendetes fracas!)

Eu também acho que isto não é uma questão do género Preto ou Branco. Por vezes podes deixar rodar um pouco sem ser por completo. (Para ser mais seguro por causa do travão (meter em perda))
Também podes travar um pouco no lado aberto que rode completamente mas apenas para manter a rotação mais plana. Eu acho que pode poupar alguma altitude mesmo se eventualmente acabes usando o reserva.


Paraglider collapse, stall & control



Ikarus
[b]Olá Dorant,
Acho que o teste mais interessante e real sobre isto era ir para o ar num dia calmo com altitude e um GPS com variómetro e experimentar as duas coisas. Fazer um colapso decente acima de 50% e sair a voar deixando-a recuperar. Depois fazer o mesmo mas combatendo a viragem, mantendo a mesma direcção se possível, e depois bombear o colapso.

Posso dizer-te da minha perspectiva de voo de uma asa com grande alongamento, a primeira opção perde menos altitude em geral e o colpaso recupera mais depressa e sem o risco de entrar em stall. A primeira razão
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#10
(...Continuação...)

Rew
Devíamos aperceber-nos que pessoas diferentes podem ter definições diferentes para algumas palavras. Quando estamos todos juntos num curso universitário, podemos começar com definições, e tornar perfeitamente claro o que as palavras especiais do nosso campo significam. Quando conversamos com pessoas de uma universidade diferente ele podem usar definições diferentes.

Ikarus escreveu:
"...Sim, devemos evitar uma espiral com baixa altitude, mas o Evandro não teve isso,..."

Essa 'volta dinâmica' tal como chamas, é o que alguns podem chamar de espiral.
Se aquele espaço não estivesse livre, haveria um resultado diferente.
O facto de não se ter perdido muita altura não interessa: Se atingires o chão no ponto mais baixo, está à mesma na mer#a.

Os pilotos de parapente gostam de pensar "isto não me vai acontecer". "Aquele tipo fez algo errado". "Eu teria lidado com isto muito melhor". Isto é para argumentar contra a possibilidade de lhes acontecer a eles, que eles se podem magoar e que estão a correr riscos. Uma situação de "nada podia ser feito" é muito desconfortável para muitos pilotos.

Agora, estão todos a pensar: "E se tivesse acontecido 20m mais abaixo?". Todos concordamos que enquanto tivermos aqueles 50m de espaço abaixo de nós, nós conseguimos resolver o colapso tal como no vídeo. Contudo, se esse espaço não está disponível, então como é?

Eu acho:
* Manter o contacto com a asa, para que saibas o que se está a passar.
* Manter um pouco de pressão. Especialmente se sabes que estás a descolar para dentro de um rotor.
* Manter um pouco de pressão teria colocado a mão direita abaixo da cintura por alguns segundos o que teria acelerado a reinflacção.
* Permitir a asa a mergulhar um pouco, e então começar a travar o lado aberto. Isto não conseguirá impedir toda a mudança de direcção, mas vai prevenir os 180 graus de mudança de direcção que exigiram a continuação da volta.

(manter a asa exactamente na mesma direcção sem 80% de asa não é possível. Com tão pequena área não é possível carregar o peso à velosidade que voamos normalmente. Quando se perde meia asa o "AOA" (Angle Of Attack - Ângulo de ataque) a modos que duplica e o resto da asa pode transportar-te. Então deves permitir que o faça, depois começa a travar, aumentando o coeficiente de sustentação e prevenindo uma rotação rápida.





Armadillo[b]
Szilard, dependendo de uma série de outras coisas, manter a direcção pode custar-te mais altitude e/ou mais tempo do que deixá-la mergulhar. Neste caso particular o piloto não estava perto de uma falésia para colidir (tal como é habitualmente o caso) então a única coisa com que se preocupar era o chão lá em baixo, não o chão ao lado do piloto. Não estou a dizer que as reacções do piloto fossem perfeitas (não consigo determinar o que ele fez e não tenho a certeza qual teria sido a reacção perfeita) mas dada a falta de falésia, mãos em cima funcionou tal como devia. Pessoalmente, quando se dá um assimétrico bem feio eu dou uma fracção de segundo para a asa mergulhar um pouco em frente e depois dar uma valente apunhalada no lado aberto (de notar que apunhalada sem manter a mão em baixo), isto previne que o mergulho seja demasiado profundo e com sorte pode ajudar o lado fechado a abrir mandando alguma pressão para esse lado. Geralmente, pode-se fazer muitas coisas momentâneas a uma asa que está à frente, a uma asa que está por cima ou, Deus nos Livre,
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#11
Evandro Amaro
[b]Olá colegas pilotos,

Voltei a este tópico para fazer uma tradução para português, como resposta ao pedido de um dos meus instrutores. Esta discussão pode ser valiosa para aqueles não tão fluentes em inglês.

Gostaria de agradecer todos os que em grande medida contribuiram para esta discussão, nomeadamente o Ikarus, Dorant, Adrian Thomas and Vidimart.
Durante esta tradução pude reler tudo o que foi dito e após este período de incubação. Gostaria de fazer algumas alegações finais que eu cozinhei sobre o incidente baseado nos vossos ensinamentos e os meus pensamentos pessoais.

E agora acredito mais fortemente que se formou uma bolha térmica naquele local àquela hora, tendo o topo da bolha mais ou menos à altura onde tive o colapso. Também poderia haver uma inversão mais ou menos àquela altitude fazendo a bolha espremer-se contra a inversão, tornando o ar descendente à volta mais vigoroso e mais rotorizado. Este ar descendente fazer-se-ia sentir na descolagem e à frente. Isto explicaria porque é que fiquei tão baixo à descolagem, ter começado a subir enquanto estava dentro da bolha e depois atingi a dura fronteira e o topo da bolha com o resultado que todos vimos.

Nesta linha de pensamento, eu não acho que os pêndulos à descolagem, entrada da térmica e depois disso tivessem algum tipo de intervenção no colapso. O ângulo de oscilação era muito reduzido para que algo acontecesse daí. Já provoquei pêndulos maiores (golfinhos) sem algum tipo de situação sujeita a colapso.

Sobre o próprio colapso, eu não estava preparado para agir. Por um lado, antes disto só tive um grande assimétrico com a Nova Rookie que recuperou sozinha e sem rotação, por outro lado nunca tinha tido treino SIV, estava a tê-lo nesse mesmo dia. No momento de ausência de peso, eu não sabia que tipo de colapso estava a ter, se assimétrico de que lado seria. Eu decidi que faria nada de modo a não tornar as coisas piores devido a sobre-pilotagem. Quando caí sobre o meu lado direito no arnês eu estava completamente perdido sobre o que estava a acontecer acima de mim. Só realmente percebi e tomei acção quando tinha uma direcção e rumo estabelecido.

Então, o que eu fiz ou deixei de fazer nada teve em consideração a minha posição relativamente ao terreno. A única coisa que eu não queria era causar uma perda (stall) na asa. Eu saí intacto disto portanto o que eu fiz acabou por ser uma das coisas correctas a se fazer naquela situação, felizmente!

Mas agora, depois de pensar nisto este tempo e relendo cuidadosamente o que se disse, o que posso dizer sobre futuros acontecimentos?

Bem, vou analisar o que aconteceu durante o colapso:
O colapso em si provocou uma rotação de 90 graus enquanto a asa estava a se fechar. Depois começou a recuperação e isso durou quase outros 90 graus. O resto da rotação foi provocada por mim.
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#12
Isto completa o que está lá no paragliding forum em termos de discussão. Não tem todos os posts já que alguns nada acrescentavam para a discussão.

Um abraço,
E.

PS: Reeditei os posts de modo a retirar os nomes reais, excepto os que usam os nomes reais como utilizador. Um moderador do paragliding fê-lo lá e achei por bem fazê-lo cá também.
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